Foto: Daniel Castellano/SMCS
Enquanto o mundo avança no combate ao HIV, o Brasil segue na contramão. Dados do Relatório Global do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgados durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, revelam que o país registrou um aumento de 22% nos novos casos de HIV desde 2010.
No cenário global, a tendência foi oposta. De acordo com o levantamento, as novas infecções caíram 43% no mesmo período. A redução, no entanto, não ocorreu em todos os países: apenas 21 nações apresentaram crescimento nos diagnósticos. Na América Latina, o aumento foi de 25% entre 2010 e 2025.
Brasil soma mais de 39 mil novos diagnósticos
Mesmo sendo reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por suas políticas de prevenção e tratamento, o Brasil contabilizou 39,2 mil novos diagnósticos de HIV em 2024, conforme o boletim mais recente do Ministério da Saúde.
O número representa um crescimento de 21,9% em relação aos registros de 2014. Atualmente, estima-se que 1,7 milhão de brasileiros vivam com o vírus.
Segundo os especialistas, a incidência é maior entre populações consideradas mais vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do sexo.
Mudança na notificação influenciou os números
Pesquisadores explicam que parte do aumento dos diagnósticos está relacionada à mudança na política de notificação adotada no Brasil.
Até 2013, apenas os casos de Aids eram de notificação compulsória. A partir de 2014, os registros passaram a incluir também todas as infecções pelo HIV, ampliando a identificação de novos casos e melhorando o monitoramento da doença.
Desafios permanecem
Durante a conferência, especialistas apontaram outros fatores que dificultam o controle da epidemia no país, entre eles:
- Redução das campanhas de conscientização;
- Persistência do estigma e da discriminação;
- Dificuldades de acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) em algumas regiões;
- Cortes de financiamento em programas de prevenção;
- Percepção equivocada, principalmente entre os jovens, de que o HIV deixou de representar uma ameaça.
Avanços importantes
Apesar do crescimento nos diagnósticos, o relatório destaca conquistas importantes do Brasil nos últimos anos. Entre elas estão a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV — de mãe para filho — e a ampliação da oferta gratuita da PrEP no Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas reforçam que a prevenção, a realização de testes, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado continuam sendo as principais estratégias para reduzir a transmissão do vírus e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV.