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Medida cautelar é a primeira adotada pelo banco contra empregados envolvidos nas operações realizadas durante a gestão de Paulo Henrique Costa
O Banco de Brasília (BRB) afastou cinco funcionários, entre eles dois ex-diretores, em consequência da investigação interna sobre as operações realizadas com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Esse é o primeiro afastamento decorrente diretamente da apuração conduzida pela corregedoria do banco estatal. Os nomes de todos os empregados e as datas exatas das medidas não foram divulgados.
De acordo com pessoas que acompanham o caso, os afastamentos ocorreram há aproximadamente três semanas e atingiram profissionais que trabalharam durante a gestão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, atualmente preso preventivamente.
Em nota, o banco informou que as medidas foram autorizadas pelo Conselho de Administração, a pedido da corregedoria, dentro das investigações relacionadas ao chamado “ecossistema Master”.
O BRB ressaltou que os afastamentos são cautelares e não significam uma condenação antecipada dos funcionários investigados.
Ex-diretores estão entre os afastados
Entre os atingidos está Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e Controladoria. Depois da operação que resultou na liquidação do Banco Master, ele havia deixado a diretoria e sido transferido para uma agência do BRB.
A ex-diretora de Controles e Riscos Luana de Andrade Ribeiro também foi afastada. Destituída do cargo em janeiro, ela igualmente passou a trabalhar em uma agência da instituição.
A Polícia Federal encontrou na agenda de Luana uma anotação sobre uma reunião da diretoria realizada em 11 de julho do ano passado. No registro, ela escreveu que o então presidente do banco teria insistido na compra de carteiras de crédito para impedir a quebra do Master.
Procurada, Luana não respondeu. A defesa de Dario informou que não comentaria o caso.
Operações eram tratadas como “negócio do presidente”
Um relatório de auditoria independente entregue à Polícia Federal em abril apontou que as compras de carteiras do Master eram tratadas internamente como um “negócio do presidente”.
Segundo o documento, as operações teriam sido realizadas em um ambiente de pressão e urgência.
Ao todo, o BRB adquiriu R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito do banco de Daniel Vorcaro. Desse total, aproximadamente R$ 12,3 bilhões apresentam, conforme as apurações, possíveis inconsistências estruturais, problemas documentais e indícios de ausência de lastro.
A Polícia Federal informou ter encontrado suspeitas envolvendo outros integrantes da antiga diretoria. Por isso, pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir o inquérito sobre a aquisição das carteiras supostamente fraudulentas.
Ex-presidente do BRB permanece preso
Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril. A investigação aponta que ele teria recebido seis imóveis de luxo de Daniel Vorcaro como pagamento de propina.
São quatro propriedades em São Paulo e duas em Brasília, avaliadas em R$ 146,5 milhões. Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos.
As acusações continuam sob investigação, e as responsabilidades individuais ainda serão analisadas pelas autoridades competentes.
Banco poderá processar antigos administradores
Em 24 de agosto, os acionistas do BRB autorizaram a instituição a acionar judicialmente antigos administradores que venham a ser identificados como responsáveis por prejuízos ao banco.
Em abril, a então superintendente de Controle Institucional, Morganna Lisboa, também havia sido afastada. Na ocasião, porém, o BRB informou que a decisão estava relacionada a uma denúncia de suposto assédio moral, e não diretamente às operações com o Master.
Naquele período, o banco negou a informação de que uma auditoria independente teria identificado 31 empregados envolvidos nas transações e recomendado punições.
BRB ainda não divulgou resultados financeiros
Desde o início do escândalo envolvendo o Banco Master, o BRB não apresentou relatórios operacionais importantes, incluindo as demonstrações financeiras de 2025 e do primeiro semestre deste ano.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, defende a contratação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para enfrentar as perdas da instituição.
A operação teria como garantia recursos de bancos privados, mas enfrenta resistência devido aos riscos envolvidos. O Governo do Distrito Federal também ofereceu como garantia valores que receberá da União por meio dos fundos de participação dos estados e dos municípios.
Na quarta-feira (9), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, concedeu prazo de 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestem sobre o pedido apresentado pelo Governo do Distrito Federal.