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Congresso aprova fim da “taxa das blusinhas” para compras de até US$ 50

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Texto autoriza alíquota zero do Imposto de Importação, mas consumidores continuarão pagando o ICMS estadual

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (3) a Medida Provisória 1.357/2026, que permite zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A cobrança de 20% ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.

A proposta foi aprovada por votação simbólica após passar pela Câmara dos Deputados. Agora, o texto segue para sanção presidencial. A medida precisava ser analisada pelo Congresso para não perder a validade.

Editada em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a MP retirou da legislação o piso de 20% aplicado às encomendas de pequeno valor. Com a aprovação, o Ministério da Fazenda poderá manter a alíquota federal zerada para as remessas de até US$ 50.

Nas compras acima desse valor e limitadas a US$ 3 mil, o governo poderá reduzir o Imposto de Importação para até 30%. Pela regra anterior, a cobrança poderia chegar a 60%.

A nova legislação também amplia a autonomia do Ministério da Fazenda para ajustar as alíquotas conforme fatores como arrecadação, comportamento do mercado, forma de transporte da encomenda e participação da plataforma no Programa Remessa Conforme.

ICMS continuará sendo cobrado

O fim da cobrança federal não representa isenção total para os consumidores. As compras internacionais continuarão sujeitas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com percentuais definidos pelos estados e pelo Distrito Federal.

Na prática, produtos adquiridos em sites como Shein, Shopee e AliExpress poderão ficar livres do Imposto de Importação na faixa de até US$ 50, mas continuarão recebendo a cobrança estadual.

Isenção para medicamentos

O texto aprovado também estabelece alíquota zero para medicamentos sem similar nacional destinados ao tratamento de doenças raras ou negligenciadas.

Para receber o benefício, o produto deverá ser adquirido por pessoa física para uso próprio e classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento sem equivalente disponível no Brasil.

A aplicação dessa regra ainda dependerá de regulamentação dos órgãos competentes e deverá começar a produzir efeitos em até 180 dias após a publicação da futura lei.

Novas regras contra fraudes

As plataformas digitais e as empresas responsáveis pelo transporte das encomendas deverão adotar medidas para combater fraudes, valores declarados abaixo do preço real e o fracionamento artificial de compras para evitar tributação.

O governo também poderá limitar a quantidade ou a frequência das remessas com alíquota reduzida, principalmente para impedir que o benefício destinado às pessoas físicas seja utilizado em operações comerciais ou de revenda.

Impactos serão avaliados

O Ministério da Fazenda terá a obrigação de acompanhar os efeitos da nova política sobre emprego, renda, indústria, comércio varejista, preços e arrecadação. O primeiro estudo deverá ser divulgado em até três meses, com novas análises realizadas em intervalos máximos de seis meses.

A proposta é defendida pelo governo como uma forma de aumentar o poder de compra das famílias de menor renda. Representantes da indústria e do varejo nacional, entretanto, demonstram preocupação com a concorrência de produtos estrangeiros e possíveis consequências para empregos e empresas brasileiras.

As regras aprovadas pelo Congresso foram detalhadas pela Agência Senado e pela Agência Câmara.

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