Lula e Trump em encontro na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert / G1
Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e consideraram que algumas práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas e interesses norte-americanos. Como resposta, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, embora setores como carnes, frutas, café, aeronaves, fertilizantes, produtos farmacêuticos e terras raras possam ficar isentos.
A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre os principais pontos criticados pelos EUA estão o funcionamento do Pix, restrições em plataformas digitais, acordos tarifários do Brasil com outros países, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e ações de combate à corrupção.
Segundo o governo americano, o Banco Central favoreceria o Pix em detrimento de empresas estrangeiras de pagamento. O relatório também aponta falhas no combate à pirataria, demora na concessão de patentes e questiona decisões relacionadas à Operação Lava Jato.
Antes de qualquer medida definitiva, os EUA abrirão um período de consultas públicas e audiências. O prazo para envio de comentários termina em 1º de julho de 2026, a audiência pública ocorrerá em 6 de julho e a definição das medidas está prevista para até 15 de julho de 2026.
A decisão ocorre enquanto Brasil e Estados Unidos mantêm negociações para evitar novas barreiras comerciais. Apesar de reuniões entre os governos de Donald Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou que ainda existem divergências significativas entre os dois países.
A investigação faz parte de uma estratégia dos EUA para apurar supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Instrumento semelhante já foi utilizado anteriormente contra a China para justificar a aplicação de tarifas e sanções comerciais.
Atualmente, após decisões judiciais nos EUA que limitaram o uso de determinadas leis tarifárias por Trump, a maior parte dos produtos brasileiros continua sujeita a uma tarifa adicional global de 10%, enquanto setores como aço e alumínio seguem enfrentando taxas mais elevadas. A proposta de nova tarifa de 25% ainda depende da conclusão do processo administrativo e das consultas públicas previstas.