Foto: Divulgação/STF
Documentos da Receita Federal do Brasil enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investiga o crime organizado apontam que pagamentos declarados pelo Banco Master ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados somaram cerca de R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025.
De acordo com os dados, em 2024 foram registrados 11 repasses mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 40,1 milhões. Já em 2025, o valor declarado repete o mesmo montante anual, embora sem detalhamento mês a mês.
O escritório tem entre suas sócias Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Procurado, o escritório informou que não confirma as informações divulgadas, alegando que os dados fiscais são sigilosos e teriam sido vazados de forma ilícita. No entanto, a banca não apresentou valores alternativos. A assessoria do ministro também foi acionada, mas não houve manifestação até a publicação.
Segundo informações divulgadas anteriormente, o contrato entre o banco e o escritório previa pagamentos que poderiam chegar a R$ 129 milhões ao longo de três anos, com média mensal de R$ 3,6 milhões.
Ainda conforme os registros, o banco declarou recolhimento de cerca de R$ 2,4 milhões por ano em impostos retidos na fonte sobre os pagamentos, o que indicaria valores líquidos próximos de R$ 37,6 milhões anuais ao escritório.
Em nota pública, o Barci de Moraes afirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Durante esse período, teriam sido realizadas 94 reuniões de trabalho, com participação de uma equipe de 15 advogados, além da contratação de outros escritórios especializados.
O escritório também destacou que não atuou em processos do banco no âmbito do Supremo Tribunal Federal. O caso segue sob análise da comissão parlamentar, em meio a questionamentos sobre a natureza e os valores do contrato firmado.