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O escritor baiano Abáz estreia na literatura com “Massaranduba”, obra publicada pela Editora Senac Rio e vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2025, na categoria Contos. O livro reúne histórias ambientadas em diferentes regiões da Bahia, do interior ao subúrbio de Salvador, com destaque para a Península de Itapagipe e o bairro de Massaranduba.
Mais do que retratar um território, a obra coloca em evidência as pessoas que vivem nas periferias, explorando suas histórias, afetos, conflitos, crenças e desafios cotidianos. Os personagens surgem como figuras complexas, marcadas por contradições, sonhos e estratégias de sobrevivência diante das desigualdades sociais.
Um dos principais destaques do livro é a linguagem. Abáz utiliza uma escrita marcada pela oralidade, incorporando expressões populares e o chamado “baianês”, criando uma narrativa que aproxima o leitor da realidade retratada. O humor também aparece como recurso literário, muitas vezes contrastando com temas como violência, pobreza, intolerância e exclusão.
No conto “Os caixões de Cristódio”, que abre a coletânea, uma comunidade demonstra alívio diante da morte de um homem rejeitado por todos. A narrativa combina ironia e crítica social para refletir sobre segredos, silêncios e relações marcadas pela violência.
Ao longo dos contos, o autor aborda questões como religiosidade, controle sobre os corpos, violência urbana e a vida nas margens da sociedade, sem reduzir seus personagens à condição de vítimas. Pelo contrário, eles são apresentados com humanidade, capazes de amar, errar, resistir e encontrar formas de seguir em frente.
No conto que dá nome ao livro, Massaranduba deixa de ser apenas um bairro e passa a representar identidade, pertencimento e memória coletiva. A obra propõe um novo olhar sobre espaços frequentemente associados apenas à pobreza e à violência, revelando também suas histórias, afetos e riqueza cultural.
Com uma narrativa sensível e crítica, “Massaranduba” reafirma a força da literatura produzida na Bahia e dá protagonismo a vozes periféricas, transformando a experiência popular em uma importante expressão da literatura brasileira contemporânea.