Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltaram a se encontrar na noite de terça-feira (4), em Brasília, após meses de distanciamento político. A reunião aconteceu na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e contou também com a presença do ministro Cristiano Zanin.
O encontro teve duração aproximada de duas horas e ocorreu em meio a um cenário de intensas articulações políticas na capital federal. Ao deixar o local, Alcolumbre foi abordado por jornalistas sobre os temas discutidos, mas respondeu de forma breve: “Segredo.”
O jantar marcou o primeiro encontro entre Lula e o presidente do Senado desde abril, quando a Casa rejeitou a indicação do então ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A rejeição foi considerada um marco histórico, por representar a primeira vez, em mais de um século, que o Senado recusou um nome indicado por um presidente da República para integrar o STF. Na votação, Jorge Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, ficando abaixo dos 41 votos necessários para a aprovação.
Nos bastidores, o desgaste entre Lula e Alcolumbre teria começado ainda no fim de 2025, quando o presidente anunciou a indicação de Messias para o Supremo. O senador defendia outro nome para a vaga, o então senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e aliados atribuíram a Alcolumbre papel importante na articulação que culminou na rejeição da indicação presidencial.
A derrota representou um revés político para o Palácio do Planalto e expôs dificuldades na articulação do governo junto ao Senado, especialmente em um período de forte movimentação política.
Apesar do episódio, lideranças governistas afirmaram, na ocasião, que a relação institucional entre os Poderes seria preservada. Embora o conteúdo da conversa desta terça-feira não tenha sido divulgado, o reencontro acontece em um momento marcado por negociações envolvendo as eleições de 2026, futuras indicações para tribunais superiores e esforços para fortalecer o diálogo entre o Executivo e o Congresso Nacional.