Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva busca concentrar o debate em propostas sociais e nas críticas ao adversário Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, porém, a repercussão da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) continua preocupando aliados, segundo a Coluna do Estadão.
Estrategistas petistas avaliavam que o maior desgaste eleitoral provocado pelas controvérsias envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro havia passado. Na leitura desses interlocutores, o anúncio de aumento do Bolsa Família ajudou a deslocar a atenção para uma pauta favorável ao governo.
A divulgação de um vídeo atribuído a uma viagem de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, em uma aeronave vinculada a uma empresa ligada ao banqueiro voltou a colocar o assunto em evidência no domingo (20). Conforme a reportagem, o escritório da advogada confirmou a utilização de serviços de táxi aéreo, incluindo os da Prime Aviation.
Além de Moraes, a atuação de Flávio Dino passou a ser motivo de preocupação na campanha. Aliados temem que a participação do ministro nos embates da sessão de 15 de setembro fortaleça a associação entre Lula e as controvérsias do tribunal.
Segundo o Estadão, buscas no Google sobre quem indicou Dino ao STF cresceram durante a repercussão do julgamento. Esse interesse, entretanto, não demonstra, por si só, mudança na intenção de voto.
Lula classificou a sessão como um “show de horrores” e ressaltou que não foi responsável pela indicação de Moraes. No caso de Dino, a indicação partiu do próprio presidente, em 2023.
A ministra Cármen Lúcia também lamentou o ambiente da sessão e manifestou preocupação com os efeitos da exposição do conflito sobre a confiança nas instituições.
Diante desse cenário, interlocutores da campanha defendem reduzir a vinculação da imagem de Lula aos confrontos no Supremo. A avaliação de que o episódio pode afetar a disputa eleitoral é atribuída aos estrategistas ouvidos pela reportagem, sem representar uma perda de votos comprovada.
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