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O apoio da Faria Lima não tem tradição de dar votos a políticos no Brasil, mas a simpatia dos investidores pode ajudar a melhorar o ambiente econômico e se refletir na cotação do dólar e das condições financeiras. Nas últimas semanas, não foi só o risco fiscal que aproximou grande parte do mercado financeiro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) também tem influenciado esse movimento, pelo temor de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça mais quatro indicações para a Corte em caso de reeleição.
O mercado dá de ombros para a tentativa de golpe de Estado no País em 2023 por entender que um Supremo politizado e em grande maioria alinhado ao PT pode também trazer riscos para o equilíbrio de forças da nossa democracia no longo prazo.
Economistas ouvidos pela coluna apontam que o PT tem sua parcela de culpa sobre o descrédito da Corte, já que o partido indicou seis dos atuais dez membros do STF: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino – por Lula – e Luiz Fux e Edson Fachin – pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Desses nomes, Luiz Fux, Carmen Lúcia e Edson Fachin não vêm demonstrando alinhamento com o governo, mas as atuações principalmente de Flávio Dino e Cristiano Zanin são vistas como politizadas, além da proximidade entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes, mesmo ele tendo sido indicado por Temer.
Para completar o receio, Lula indicou Jorge Messias, seu advogado-geral da União (AGU), para a vaga de Luís Roberto Barroso e, mesmo depois de ter seu nome barrado pelo Senado, deu sinais de que poderia dobrar a aposta reenviando o nome.
Em caso de reeleição, Lula terminará o mandato indicando oito de 11 ministros da Corte, com exceção de Alexandre de Moraes, André Mendonça e Kássio Nunes Marques. Além da vaga que continua em aberto, ele terá de repor os nomes de Fux, Mendes e Cármen Lúcia, que deixarão o Supremo por aposentadoria compulsória por idade.