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Resolução aprovada por 164 países incentiva o uso de representações cartográficas mais proporcionais, que mostram a África e outras regiões com dimensões mais próximas da realidade
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução recomendando a adoção de representações cartográficas mais proporcionais ao tamanho real dos países e continentes.
A medida, apresentada pelo Togo e apoiada pela União Africana, defende que os mapas oficiais da organização passem a priorizar projeções como a Equal Earth, desenvolvida em 2018 para representar as áreas do planeta de maneira visualmente mais equilibrada.
A resolução recebeu 164 votos favoráveis. Estados Unidos e Micronésia votaram contra, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Síria e Ucrânia se abstiveram. O texto não possui caráter obrigatório, mas deverá orientar a atualização dos mapas utilizados pela ONU.
Brasil pode parecer maior no novo modelo
A possível mudança não altera apenas a representação da África. O território brasileiro também poderá aparecer proporcionalmente maior em relação a regiões próximas aos polos, como Europa, Rússia, Canadá e Groenlândia.
Nos mapas baseados na projeção de Mercator, países e territórios localizados nas áreas polares costumam parecer muito maiores do que realmente são. O Brasil, por outro lado, aparece reduzido quando comparado a essas regiões.
Um exemplo conhecido envolve o Alasca. Em mapas tradicionais, o território norte-americano parece quase do tamanho do Brasil. Na realidade, o Brasil possui uma área aproximadamente cinco vezes maior.
Por que a projeção de Mercator provoca distorções?
Criada em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator, essa projeção foi inicialmente desenvolvida para auxiliar a navegação marítima. Sua principal vantagem é representar as rotas de maneira prática para os navegadores.
O problema surge quando o modelo é utilizado para comparar visualmente o tamanho dos países e continentes. Como a Terra possui formato aproximadamente esférico, qualquer tentativa de apresentá-la em uma superfície plana produz algum tipo de distorção.
Na projeção de Mercator, essas alterações aumentam conforme os territórios se aproximam dos polos. A Groenlândia, por exemplo, parece ter dimensões semelhantes às da África, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior.
Campanha africana ganhou apoio internacional
A decisão da ONU é resultado da campanha Correct The Map, que defende há aproximadamente um ano uma representação cartográfica mais proporcional da África e de outras regiões próximas ao Equador.
Os defensores da iniciativa argumentam que as distorções dos mapas tradicionais não afetam apenas a percepção geográfica, mas também podem reforçar uma visão equivocada sobre a importância e o tamanho dos continentes.
O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou antes da votação que os mapas influenciam a forma como as sociedades compreendem o mundo. A proposta também recebeu apoio da União Africana.
Projeção de Mercator não será proibida
Apesar da aprovação, a projeção de Mercator não será banida. A resolução apenas recomenda que a ONU utilize modelos mais proporcionais, especialmente em materiais educacionais, institucionais e em outras aplicações nas quais a comparação entre territórios seja relevante.
O modelo de Mercator continuará sendo utilizado em determinadas situações, principalmente na navegação, finalidade para a qual foi originalmente desenvolvido.
A orientação representa uma mudança importante na forma de apresentar e ensinar a geografia mundial. Projeções como a Equal Earth poderão ganhar mais espaço como alternativas capazes de mostrar as dimensões dos países e continentes de maneira mais próxima da realidade.