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Material divulgado pelo STF aborda o financiamento do filme “Dark Horse”, a atuação do grupo “A Turma” e viagens de servidores do Banco Central supostamente custeadas pelo empresário.
Documentos relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, que tiveram parte do sigilo retirada, apresentam informações sobre diferentes frentes da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Entre os pontos mencionados estão uma apuração envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), o funcionamento de um grupo conhecido como “A Turma” e viagens internacionais de servidores do Banco Central supostamente pagas por Vorcaro.
Na noite de quinta-feira (10), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou a divulgação do material relacionado ao caso. A única exceção envolve diligências cuja exposição possa comprometer o andamento das investigações.
O relator, ministro André Mendonça, retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do processo principal que deu origem aos demais. A divulgação integral do caso também foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caso provoca tensão no Supremo
A decisão acontece em meio a um período de forte tensão dentro do STF. A crise ganhou força após Mendonça produzir um relatório sobre pessoas próximas a Daniel Vorcaro, no qual Alexandre de Moraes aparece como um dos interlocutores do empresário.
Segundo os documentos, Vorcaro teria mantido contatos com integrantes do alto escalão político e ministros do Supremo, entre eles Moraes e Dias Toffoli.
As investigações indicam que o empresário teria trocado mensagens com Moraes sobre um inquérito que o envolvia, inclusive no dia de sua prisão. No caso de Toffoli, são mencionadas supostas relações comerciais e negócios envolvendo um resort.
Daniel Vorcaro permanece preso e é apontado nas investigações como possível responsável por um esquema considerado pelas autoridades uma das maiores fraudes financeiras já apuradas no país.
Grupo teria intimidado jornalistas e acessado dados sigilosos
Outro ponto dos documentos envolve um grupo chamado “A Turma”, que seria liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário.
Conforme os relatórios, integrantes do grupo discutiam estratégias para intimidar pessoas, incluindo jornalistas, e teriam acesso a informações confidenciais. As circunstâncias e eventuais responsabilidades ainda estão sendo investigadas.
Flávio Bolsonaro é investigado por financiamento de filme
Entre as informações divulgadas está a confirmação de que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado desde julho no inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados. Uma das suspeitas é de que parte dos recursos tenha sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo reportagem do The Intercept, Flávio teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 122,7 milhões na cotação mencionada — para financiar o filme.
Documentos da investigação divulgados pela revista piauí indicam que, desse total, pelo menos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, teriam sido efetivamente repassados.
Viagens de servidores do Banco Central entram na investigação
Os arquivos também apresentam novos detalhes sobre servidores do Banco Central suspeitos de atuar para favorecer o Banco Master. Segundo relatórios da Polícia Federal encaminhados ao STF, Vorcaro teria custeado viagens e jantares internacionais para dois investigados.
O empresário teria pago parte de uma viagem a Paris feita pelo ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana e sua esposa.
A investigação também aponta que Vorcaro teria financiado uma viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza à Disney, nos Estados Unidos.
Apesar da retirada parcial do sigilo, muitas das informações já haviam sido divulgadas anteriormente por veículos de imprensa ou pelo próprio Supremo. As acusações permanecem sob investigação, e caberá à Justiça determinar eventuais responsabilidades.