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Eleições de meio de mandato nos EUA colocam Trump sob pressão e ameaçam maioria republicana no Congresso

Foto reprodução

Disputa legislativa é marcada pelo aumento do custo de vida, insatisfação com o governo e avanço dos democratas nas pesquisas. Resultado pode provocar mudanças na política econômica e ampliar a tensão em Washington.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos entram na reta final em meio a um cenário de incertezas políticas e econômicas. Com a votação antecipada em andamento, eleitores demonstram preocupação com os rumos do país, citando o aumento do custo de vida, a atuação dos políticos e a influência de grandes empresários e bilionários na política norte-americana.

Entre as principais reclamações está o preço dos combustíveis, especialmente da gasolina, que se tornou um dos temas centrais da campanha. Parte dos eleitores afirma sentir que os Estados Unidos estão passando por uma transformação profunda, com questionamentos sobre a situação econômica e a confiança nas instituições.

Nesta terça-feira (3), os americanos irão às urnas para escolher os representantes do Congresso. A disputa envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.

Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas legislativas, mas enfrenta dificuldades diante da baixa popularidade do presidente Donald Trump.

Uma análise do Commerzbank aponta que a aprovação de Trump está em 38%, enquanto a desaprovação chega a 60%, resultando em um saldo negativo de 22 pontos percentuais.

O cenário econômico aparece como um dos principais fatores de desgaste do governo. Segundo a avaliação do banco, Trump não conseguiu cumprir a promessa de reduzir os preços logo no início de seu mandato.

A instituição também destaca que medidas tarifárias adotadas pelo governo e o conflito com o Irã, que provocou elevação nos preços da energia, contribuíram para intensificar as pressões inflacionárias.

Aluguéis, alimentos e combustíveis ganharam espaço no debate eleitoral, enquanto os democratas concentram parte de sua estratégia na defesa de medidas para aliviar o orçamento das famílias americanas.

As pesquisas eleitorais indicam um cenário desfavorável para os republicanos, principalmente na Câmara dos Representantes.

Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato. Desde 1950, a média de perdas gira em torno de 20 assentos.

A situação atual aumenta a preocupação republicana. O partido possui uma maioria apertada de apenas quatro cadeiras, e levantamentos eleitorais apontam a possibilidade de os democratas conquistarem pelo menos 20 assentos, o que poderia garantir o controle da Câmara.

No Senado, a disputa também se tornou mais acirrada nas últimas semanas. Um dos destaques é o Texas, tradicionalmente favorável aos republicanos, onde pesquisas indicam uma disputa mais competitiva.

Levantamento do The New York Times em parceria com o Siena Research Institute, divulgado em 1º de novembro, mostrou os democratas à frente em cinco dos sete estados considerados decisivos na disputa pelo Senado.

Na véspera da votação, Donald Trump minimizou os resultados das pesquisas de opinião e afirmou que nunca conheceu pessoas entrevistadas pelos institutos.

Durante um comício, o presidente relatou que apenas duas pessoas levantaram as mãos quando questionou a plateia sobre quem já havia participado de uma pesquisa eleitoral.

Trump também declarou que pretende vetar todas as propostas caso os democratas conquistem o controle do Congresso. Ao ser questionado sobre a segurança do processo eleitoral, afirmou não acreditar que as eleições serão seguras.

A declaração ocorre em meio a um ambiente de polarização política e desconfiança em relação ao sistema eleitoral americano.

Outro episódio que chamou atenção na reta final da campanha foi a decisão da Justiça americana de rejeitar uma ação apresentada pelo governo Trump.

O processo buscava impedir o Alasca de certificar uma eventual derrota do senador republicano Dan Sullivan. A administração alegava que eleitores poderiam se confundir devido à presença de um candidato com o mesmo nome na disputa.

A decisão judicial representa mais um capítulo das controvérsias envolvendo o processo eleitoral nos Estados Unidos.

A possibilidade de uma vitória democrata também é acompanhada de perto pelo mercado financeiro.

Segundo análise do ING, plataformas de apostas atribuem aos democratas probabilidades entre 70% e 72% de conquistar a Câmara e o Senado.

O banco, no entanto, ressalta que parte das projeções sobre os efeitos econômicos imediatos ainda é especulativa.

Uma eventual vitória democrata poderá aumentar a pressão sobre o dólar e dificultar a aprovação de medidas econômicas do governo Trump. Entre os riscos apontados estão impasses relacionados ao teto da dívida e a possibilidade de uma paralisação prolongada das atividades do governo federal no próximo ano.

O Commerzbank também alerta para o risco de um novo shutdown, uma paralisação parcial do governo, uma vez que o financiamento das atividades federais está previsto apenas até 11 de dezembro.

Caso os democratas conquistem também o Senado, Trump poderá enfrentar dificuldades para preencher vagas no conselho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, já que as indicações presidenciais precisam passar pela aprovação dos senadores.

As instituições financeiras também consideram a possibilidade de contestação dos resultados eleitorais, com ações judiciais e manifestações populares.

Embora esse cenário seja considerado de baixa probabilidade, os analistas avaliam que seus efeitos poderiam comprometer a confiança nas instituições americanas.

Com a votação antecipada em andamento e a disputa pelo Congresso cada vez mais acirrada, as eleições de meio de mandato podem representar um importante teste político para Donald Trump.

Além de definir o equilíbrio de forças em Washington, o resultado deverá influenciar os rumos da economia americana, as relações internacionais e a capacidade do presidente de avançar com sua agenda nos próximos anos.

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