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Encontro reunirá líderes de importantes potências mundiais, mas conflitos entre os próprios integrantes dificultam uma posição conjunta do bloco
A Índia sediará neste sábado (12) e domingo (13) a 18ª Cúpula do Brics. O encontro deverá reforçar o peso político e econômico do grupo, mas também evidenciar as profundas diferenças entre os países integrantes.
Apesar do discurso oficial em defesa de uma nova ordem mundial, os interesses nacionais continuam se sobrepondo às tentativas de construir uma agenda unificada contra a influência do Ocidente.
O comparecimento dos líderes será mais expressivo do que na cúpula realizada no Brasil no ano passado. Entre os fundadores — Brasil, Rússia, Índia e China — apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Também estarão presentes o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, além de representantes dos países incorporados ao bloco após a ampliação iniciada em 2023.
Presença do presidente iraniano aumenta tensão
Uma das participações mais aguardadas será a do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Ele chega a Nova Déli em meio ao confronto militar de seu país com os Estados Unidos e deverá buscar apoio diplomático entre os integrantes do Brics.
China e Rússia mantêm posições favoráveis ao Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotam posturas diferentes.
Os Emirados romperam relações comerciais com Teerã após se tornarem um dos principais alvos das retaliações iranianas contra aliados americanos no Golfo Pérsico. O país será representado pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, que dividirá a mesa de negociações com Pezeshkian.
As divergências entre Irã e Emirados já impediram a publicação de um comunicado conjunto do Brics neste ano. O governo russo teme que o impasse volte a acontecer durante a reunião na Índia.
Xi Jinping visita a Índia após sete anos
O principal destaque diplomático será a presença do presidente chinês, Xi Jinping, em território indiano pela primeira vez em sete anos.
China e Índia são potências nucleares e enfrentam disputas territoriais que provocaram confrontos nas regiões fronteiriças nos últimos anos. Apesar das tensões, os dois governos vêm ensaiando uma reaproximação diplomática.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, já esteve na China e encontrou Xi durante a Cúpula do Brics realizada em Kazan, na Rússia, em 2024. A expectativa agora é de uma reunião bilateral entre os dois líderes em Nova Déli.
Modi e Xi participaram recentemente da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão, mas não realizaram um encontro reservado. Na ocasião, o primeiro-ministro indiano se reuniu com Vladimir Putin, enquanto o presidente russo manteve uma agenda com o líder chinês.
Ao mesmo tempo em que busca melhorar as relações com Pequim, a Índia mantém alianças militares com países preocupados com a expansão chinesa no Indo-Pacífico e com possíveis ameaças às rotas marítimas internacionais.
Putin busca garantir exportações de petróleo
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Nova Déli nesta sexta-feira (11) e já se encontrou com Narendra Modi.
A prioridade de Moscou é preservar o mercado indiano para o petróleo russo. Índia e China tornaram-se compradores fundamentais da produção energética da Rússia depois das sanções internacionais impostas em razão da guerra na Ucrânia.
Durante o fórum empresarial da cúpula, Putin acusou países ocidentais de promoverem ataques contra oleodutos, refinarias e instalações petrolíferas de integrantes do Brics para recuperar influência econômica.
A declaração fez referência aos ataques ucranianos contra refinarias russas e aos bombardeios americanos contra o Irã. O presidente russo, porém, evitou criticar diretamente Donald Trump, que tenta mediar um possível entendimento entre Moscou e Kiev.
Brasil será representado por Mauro Vieira
Sem a presença de Lula, caberá ao chanceler Mauro Vieira defender os interesses brasileiros durante a cúpula.
Entre os assuntos que poderão ser discutidos está a integração dos sistemas digitais de pagamento dos países do Brics. A proposta enfrenta dificuldades técnicas e políticas, mas sua simples discussão deverá provocar reação dos Estados Unidos.
Washington considera o crescimento do bloco uma possível ameaça aos seus interesses e à influência internacional do dólar.
Apesar da retórica crítica à hegemonia americana, os integrantes do Brics mantêm relações diferentes com os Estados Unidos. Enquanto a Índia possui uma parceria estratégica com Washington, o Irã enfrenta diretamente as forças americanas.
Essa diversidade de interesses mostra que, embora o Brics tenha ampliado seu alcance, a construção de posições comuns continuará sendo um dos maiores desafios do grupo.