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Ataques contra infraestrutura saudita aumentaram o temor de uma crise de abastecimento, pressionando a inflação e as expectativas para os juros
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (14) em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,148. O mercado financeiro foi marcado pela cautela diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio e da forte valorização internacional do petróleo.
Durante o pregão, a moeda americana chegou a R$ 5,182, representando avanço de 1,15% na máxima do dia. No exterior, o índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, subiu 0,27%.
A Bolsa brasileira seguiu o clima negativo e recuou 0,91%, encerrando aos 185.500 pontos. As ações das empresas petrolíferas avançaram, mas não conseguiram sustentar o Ibovespa, já que a maioria dos papéis fechou no campo negativo. Os dados foram divulgados no fechamento do mercado.
Ataque a oleoduto aumenta preocupação
A aversão ao risco ganhou força após drones atingirem um importante oleoduto da Arábia Saudita, provocando a suspensão temporária das operações.
O episódio ocorreu em meio ao avanço dos houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. Os rebeldes afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra instalações militares no sul do território saudita.
Na semana anterior, o grupo havia anunciado o controle da cidade portuária de Mocha, considerada estratégica para o transporte de petróleo pelo Estreito de Bab el-Mandeb.
A escalada coloca em risco as exportações sauditas pelo Mar Vermelho, especialmente após as restrições no Estreito de Hormuz. Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás comercializados mundialmente passavam pela região.
Reunião entre Irã e países do Golfo é adiada
As novas tensões levaram os países do Golfo a adiar uma reunião sobre a administração do Estreito de Hormuz.
O encontro reuniria os principais diplomatas da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein com o ministro das Relações Exteriores do Irã.
Seria a primeira reunião desse tipo em quase dois anos, mas os ataques contra a infraestrutura saudita reduziram as perspectivas de diálogo imediato.
Brent encosta em US$ 110
O petróleo Brent, referência internacional, chegou a avançar 4,90% e atingiu US$ 109,74 durante o pregão. No fim da tarde, a commodity reduziu os ganhos, mas ainda era negociada por aproximadamente US$ 105,67.
Analistas avaliam que o mercado teme uma redução expressiva na quantidade de petróleo saudita transportada pelo Mar Vermelho. O adiamento das negociações entre o Irã e os países do Golfo aumentou a expectativa de que as exportações permaneçam reduzidas.
Petróleo alto favorece empresas, mas ameaça inflação
Nas últimas semanas, o aumento do petróleo vinha beneficiando o mercado brasileiro, melhorando as perspectivas de receita das produtoras e atraindo investidores estrangeiros.
Nesta segunda-feira, porém, a valorização das ações petrolíferas aconteceu de maneira isolada. O restante da Bolsa sofreu com o temor de que o encarecimento da energia provoque uma nova onda inflacionária.
O cenário representa um efeito duplo para o Brasil: o petróleo valorizado aumenta os ganhos de companhias como a Petrobras, mas também pressiona os preços dos combustíveis, dos transportes e dos alimentos.
Mercado aguarda decisões sobre juros
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira indicou que o mercado espera uma inflação de 4,90% em 2026. A projeção está acima do teto da meta, fixado em 4,5%, considerando a margem de tolerância.
A possibilidade de uma inflação mais elevada aumenta o receio de que os juros permaneçam altos por mais tempo, reduzindo a procura por investimentos considerados de risco.
Nos Estados Unidos, investidores esperam que o Federal Reserve eleve a taxa de juros da faixa de 3,5% a 3,75% para o intervalo entre 3,75% e 4%.
No Brasil, a expectativa predominante é de que o Comitê de Política Monetária reduza a Selic de 14% para 13,75%.
Cenário político também influencia mercado
A disputa presidencial permanece no radar dos investidores. No Datafolha divulgado na sexta-feira (11), Lula apareceu com 39% contra 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Em uma eventual disputa direta, o resultado foi de 46% a 44%.
Já a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostrou Flávio numericamente à frente em uma simulação de segundo turno, com 42%, contra 40% de Lula. Nos dois levantamentos, a análise deve considerar as respectivas margens de erro.
Também repercutiram mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, o conteúdo indicaria uma possível atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor de Vorcaro. O caso ainda será analisado pelas autoridades, e os citados têm direito à defesa.
Está prevista para esta terça-feira (15) uma sessão sobre a atuação de Moraes e a relação atribuída a ele com o ex-banqueiro. O aumento das tensões institucionais contribuiu para deixar os investidores mais cautelosos.